• Guilherme Cardoso

A dureza do primeiro emprego


Minha primeira experiência de trabalho remunerado, com carteira assinada, foi na Dental Santiago, localizada na Rua São Paulo, isso na década de 60.

A loja pertencia aos irmãos Santiago. Eram três. José era o mais velho.

O mais novo, Rodrigo Santiago, com aproximadamente 18 anos, era ator amador. Depois, tornou-se profissional e conhecido, chegou a Globo, atuou em novelas,

Eu tinha 15 anos.

O trabalho durou dois longos meses, não aguentei o esforço, pois era um sacrifício danado ficar sem as peladas de rua, nas tardes da Pompeia. Pedi demissão, mas não fiquei nem 15 dias a toa.

O Ignácio,meu irmão mais velho, conseguiu para mim um emprego de office-boy, ajudante de serviços, para trabalhar na Casa Abreu, hoje o Centro Ótico.

Meu irmão era garçom na casa de lanches, Galeria Odeon, na Afonso Pena, entre São Paulo e Praça Sete.

Até eu me acostumar com a rotina do trabalho, ele, que trabalhava ao lado da Casa Abreu, ficava de olho em mim, para eu não faltar ao trabalho.

Eram duas lojas da Casa Abreu. Uma na Afonso Pena, outra na São Paulo, esquina de Afonso Pena, onde se encontra até hoje.

Permaneci nesse emprego de 1960 a 1962, quando fui ser bancário., convidado por uma prima que era funcionária e casada com o Contador do Banco, o Arante da Costa Lyra.

Para me incentivar a ir ao trabalho todos os dias, de segunda à sábado ao meio dia, o Ignácio meu irmão, comprou uma bicicleta Caloi, zero km, sensação do momento, pneu balão, com farol na frente e lanterninhas na traseira.

Ter uma bicleta Calói ou Monark naquele tempo era o sonho de todo jovem. Ainda não tinha essa de querer o celular do ano ou o carro mais bonito.

O trânsito era tranquilo, poucos carros, só alguns ônibus, tão ruins como os de hoje, e a bicicleta me deu o direito de ir e voltar todos os dias sem problemas.

Eu vinha pela manhã, 7 horas, da Poméia pela rua Niquelina, pegava a Av.Brasil e chegava à Av.Afonso Pena, de onde vinha até a Casa Abreu na rua São Paulo, cá perto da Rodoviária.

E fazia o mesmo trajeoto indo almoçar em casa e trazendo uma marmita para o meu irmão, amarrada na garupa da bicicleta.

Quanta felicidade com tão pouco.

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