• Guilherme Cardoso

A máquina de tirar retratos


Você já teve uma máquina de tirar retratos?

Se você, como eu, tem mais de 60 anos de idade, ou já teve uma, ou se lembra muito bem como era a Kodak Kapsa, a máquina de tirar retratos como era chamada na época a Máquina fotográfica.

A Kodak Kapsa era um caixote quadrado, medindo uns 15 cm de cada lado, com uma lente de onde se via a imagem a ser fotografada, olhando de cima para baixo.

A gente segurava a Kodak com as duas mãos na altura do peito, fixava a imagem e apertava um botão ao lado e pronto.

Se tremesse um pouquinho com as mãos, a foto saia distorcida ou nem saia. Era queimada.

Ter uma máquina fotográfica na década de 60 era como hoje um jovem ter om celular Iphone último modelo. Custava muito e quem tinha uma das boas na época, com flash eram os fotográfos profissionais. Como o José Moreira, morador na Rua Iara, entre Rua Rocha Pita e Sílvio Romero, el que era o fotógrafo principal da Pompeia.

Era ele quem tirava fotos de aniversários, festas, barraquinhas, peças teatrais no salão paroquial, casamentos na Matriz de N.S.do Rosário da Pompeia.

Desde a década de 50 José Moreira dominava a arte de tirar fotos de todos os acontecimentos no bairro e na região. Ele tinha um grande acervo de fotos que contava grande parte da história do bairro Pompeia, mas parece que nada foi preservado pela família após a sua morte.

Eu cheguei a ter uma máquina de tirar retratos em 1961, era assim que a gente falava sobre a máquina fotográfica. Era uma Kodak,quadradinha, preta, com uma lente que a gente olhava de cima para baixo para tirar fotos. Comprei com o segundo salário do Banco. O primeiro salário eu gastei parte comprando balas caríssimas na Kopenhagen, ali ao lado do cine a Acaiaca e tomando uma bandeja de Banana Split, sorvete com banana e caldo por cima nas Lojas Americanas na rua Tupinambás, quase esquina com Rua São Paulo.

Naqueles tempos década de 60, poucas pessoas tinham um máquina fotográfica, mesmo as mais simples como a Kodak Kapsa. E quem tinha uma máquina precisa gastar um bom dinheiro para comprar os rolos de filmes, de 12 e 36 fotos, que não eram baratos, tipo uns 100 reais a 200 reais cada, e ainda gastar para revelar os filmes e fazer as cópias em papel fotográfico.

Era comum a gente tirar as 36 fotos em determinado tempo e só vir a revelar e fazer as cópias meses depois, quando tinha dinheiro. E o pior era que ao revelar as fotos você descobria que boa parte delas tinham sido mal tiradas, queimadas e não se podia revelá-las.

Além de perder dinheiro com as revelações, todos os acontecimentos fotografados e aguardados com ansiedade para se ver, simplesmente não podem ser revelados.

Nas Bodas de Prata de minha irmã Aparecida com o Miguel em 1983, aconteceu uma falha comum nas máquinas de tirar retratos da época.

A missa dos 25 anos foi realizada na Igreja do Sagrado Coração de Jesus, na Avenida Carandaí, alí perto do Instituto de Educação em Belo Horizonte, a igreja lotada, cerimônia bonita, e a única fotógrafa, amiga da família, tirou várias fotos, mais de do4 rolos de filmes de 36 fotos, e quando acabou a solenidade, verificou que a tampa da lente da máquina estava fechada e nenhuma foto tinha sido tirada.

Foi um desastre, uma decepção completa, pois nada daquela data preciosa foi documentado.

Muito diferente dos celulares de hoje, que não tem rolos de filmes, não se revelam nada, não se perdem nenhuma foto, e se não ficarem boas na hora, podem ser tiradas quantas outras se desejar.

Falando isso agora, parece que tudo isso aconteceu há tantos anos, talvez100, 200 anos, mas não. Foi logo ali atrás, pouco mais de 50 anos.

São fatos verdadeiros, são histórias, casos e causos de tempos que não voltam mais.





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