• Guilherme Cardoso

A Ponte do Cardoso


Meu pai era um homem alegre, adorava contar casos e causos, especialmente lendas de assombrações e mulas sem cabeça. À noite, a gente sempre dormia ouvindo suas histórias.Quando o caso era interessante, ele ria mais que contava.

Seu Cardoso, como era conhecido pelos seus colegas cambistas, vendedores de bilhetes de loteria. Como eles, era um dos muitos que não tinha capital financeiro, e em troca de uma pequena comissão, vendia bilhetes das loterias Mineira e Federal.

Diariamente, fazia o trajeto do centro até a Pompeia a pé, parando para descansar e conversar, na divisa com o Bairro Santa Tereza, na passagem sobre a linha de trem. Ali, tentava vender as tirinhas que sobravam, para evitar ter que pagá-las, se fossem devolvidas depois do sorteio.

Não tinha sorte. Quase sempre ficava com o prejuízo dos bilhetes encalhados.

Conta-se que por causa desta constante parada naquele local, a travessia ficou conhecida como Ponte do Cardoso. Não existem registros escritos que comprovem esse fato. Apenas oralidade. Assim, na falta de documentos que atestem o contrário, fica a evidência de que o nome do local surgiu como ponto de referência da figura de Antenor Cardoso Dias, seu Cardoso

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