• Guilherme Cardoso

A punição do Desembargador


Eu poderia até falar sobre diversos outros assuntos políticos, e são muitos, mas, me vejo na obrigação de comentar sobre a lamentável atitude do desembargador Eduardo Siqueira que deu carteirada e humilhou o Guarda Municipal Cícero Hilário.

Não só lamentável, mas revoltante o que fez o citado desembargador. Aproveitou-se de pertencer a uma categoria de pessoas que se acham melhor que os outros, pelo fato de estar no Judiciário, ter um alto salário, cheio de mordomias e privilégios.

Pessoas e autoridades como esta do desembargador nós temos aos montes no Brasil.São classes e categorias que se julgam melhor que os outros, embora a nossa Constituição diz que todos iguais e que temos os mesmos direitos e os mesmos deveres.

Essa categoria de pessoas, normalmente são aqueles que vivem em outro mundo, vivem em umuma parte pequena do Brasil que não conhece violência, que não sabe o que é miséria, que não passa dificuldades financeiras, que não ficam desempregadas pois têm a estabilidade no emprego, são altos funcionários públicos, são políticos, ricos empresários, pessoas e famílias que moram em condomínios fechados de alto luxo, que antes da pandemia passavam férias em Miami, Nova Yourk e não nas praias do nordeste.

Sim, são essas pessoas, como o desembargador e aquele casal de engenheiros que também desacatou Guardas Municipais, que não estão nem aí para a situaçãode saúde que vive o país, e nem estão aí para a questão da educação, de como vamos voltar com nossas crianças para as salas de aulas. Esses cidadãos, se é que assim podemos chama-los, e que ostentam poder e riqueza, esses certamente tem reservas financeiras suficientes e garantia de emprego, como o desembargador, para depois da pandemia, matricular seus filhos em escolas no exterior, e curtir a vida nas praias do Havaí.

É pena que sabemos no que vai dar o processo aberto contra o desembargador. Vai ser multado por uns mil reais, como já foi pela Prefeitura de Santos, deve sofrer uma advertência, uma chamada de atença pelo Conselho Nacional de Justiça e nada mais. Como é servidor público não pode ser demitido, mesmo que mate algu´ém a queima roupa, tem seus altos salários garantidos, e na pior das hipóteses, se houver uma grande pressão da sociedade organizada e da imprensa, pode ser aposentado compulsoriamente com os mesmos salários. O que acaba sendo um presente para ele.

Este é o Brasiol e a democracia que vivemos. A Constituição diz claramente que todos são iguais, tem os mesmos direitos, mas uns acham que são mais iguais e tem mais direitos que os outros.

Ano que vem depois da pandemia, não seria o momento ideal de uma nova Constituinte para se refazer a nossa Constituição, refazendo alguns valores, acabando com todas as mordomias e privilégios dos integrantes dos Três Poderes como o Congresso, o Executivo e o Judiciário? E entre as principais medidas por um fim aos altos salários desse pessoal, acabar de vez com o foro privilegiado dos políticos e o fim da estabilidade no emprego no funcionalismo público?

Aí sim, atitudes de desrespeito e arrogância como desse desembargador não aconteceriam mais, e todos passariam a ser menos desiguais e menos podersos que os outros.

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