• Guilherme Cardoso

A "rachadinha" dos vereadores


Ainda esta semana eu comentei sobre os vereadores e seus altos salários e mordomias. E agora, em Belo Horizonte, na Câmara dos Vereadores aparece mais um caso de Rachadinha, aquele negócio que se repete sempre no meio político e que tem sido objeto de denúncia e processo que corre na Justiça envolvendo o senador Flávio Bolsonaro.

Só na Câmara dos Vereadores de BH esse já é o terceiro caso de Rachadinha, sem contar os casos de cassações por corrupção. Isso é que dá tantas mordomias e privilégios oferecidos aos políticos que já têm um salário fixo muito bom.

E em novembro próximo, lá vamos nós votar nesse pessoal.

Mais uma vez digo aqui. A sociedade brasileira não pode mais aceitar esse tipo de vantagem financeira que só é dada a políticos e membros do Judiciário.

Num país como o Brasil, com tanto desemprego, falta de moradias, milhões de pessoas consideradas invisíveis, que não tem CPF, Carteira de Identidade e muitos nem certidão de Nascimento, e que não ganham nem o mínimo para sobreviver, já passou da hora de uma Manifestação Pacífica, uma passeata pelas ruas durante um mês inteiro, como fizeram os negros nos Estados Unidos contra o racismo.

Aqui no Brasil as manifestações deveriam ser pelas desigualdades sociais que são enormes e inaceitáveis em pleno século XXI.

Ninguém em sã consciência pode admitir que alguém seja discriminado pela sua cor, por sua religião ou pela sua sexualidade, e muito menos podemos aceitar milhões de brasileiros, de todas as idades, crianças, jovens, adultos e idosos, sem emprego, sem trabalho, sem estudos, sem moradia, sem água e esgoto e sem uma renda mínima para sobreviver.

Enquanto isso, vão se repetindo os casos de rachadinha, aquele sistema em que o político tem a verba de gabinete de 76 mil reais, no caso dos vereadores de BH, e com esse dinheiro contratam vários assessores que são obrigados a dividir os seus salários todos mês com o vereador, que além de ter garantido um bom salário fixo de 16 mil reais, ainda fica com a metade do total desses 76 mil reais, o que faz seus rendimentos mensais passarem dos 60 mil, fora as mordomias e privilégios.

Não estou aqui provocando rebelião de ninguém, apenas sugerindo conscientização das pessoas para a inadmissível desigualdade de salários entre os políticos e os trabalhadores em geral.

Só estou lembrando a quem quiser ouvir, que é humilhante, é degradante ver tantas desigualdades sociais em nosso país, que se gaba de ser um país cheio de riqueza, mas que mantem e aceita que a maioria dos seus cidadãos permaneçam no abandono, vivendo na linha abaixo da pobreza, enquanto uma casta, uma classe especial de brasileiros nada em dinheiro, rouba, desvia, faz rachadinhas, é denunciado, investigado e não fica preso.

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