• Guilherme Cardoso

As Barraquinhas da Pompeia


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A lembrança de hoje são:

As barraquinhas da Pompeia.

As barraquinhas da Pompeia eram animadas e famosas. Conhecidas em toda a cidade. Mês de maio, pessoas de vários bairros vinham participar das festividades promovidas pelos capuchinhos e demais grupos religiosos.

Pequenas e acolhedoras barracas, erguidas de madeira e cobertas de lona, ofereciam jogos e atividades diferentes aos visitantes, cada uma sob a responsabilidade de uma família do bairro.

Havia Barracas de doces, de canjica, quentão e pipoca, de tiro ao alvo, de bola na lata, de pescaria. A barraca de coelhinhos, comandada pelo senhor Joaquim Soares era a que mais divertia crianças e adultos. Eram 13 casinhas em círculo, numeradas, onde cada pessoa apostava onde o coelhinho entraria, depois de solto no chão. Uma dessas casinha tinha uma cenoura.Era aquela farra, cada um gritando para que o coelhinho entrasse na casa de sua aposta.

Apesar do frio, e naquele tempo o mês de maio era frio de verdade, a frequência e a animação eram grandes. As pessoas não tinham muitas opções de divertimento. A poeira também era muita, com crianças correndo pra todo lado.

Casais apaixonados e enrolados em blusas e cachecóis circulavam pela praça, trocando juras de amor. Namoros começavam timidamente na porta da igreja e nas barraquinhas de jogos, ao som das românticas músicas do momento. As barraquinhas eram de segunda a domingo, sempre depois da missa das 19 horas.

Naquela época, década de 60, não havia a violência de hoje. No máximo aconteciam algumas brigas entre jovens da Pompeia, contra jovens da Esplanada, Abadia ou São Geraldo que vinham às barraquinhas e cismavam de namorar algumas das garotas mais bonitinhas e cobiçadas. Era puro ciúmes. E as brigas eram no máximo de trocas de pescoções, chutes no traseiro, algumas pedradas e nada mais. E quando nós, jovens da Pompéia íamos em alguns bailes nos outros bairros era a mesma coisa. Quase sempre saíamos correndo.

Na entrada da torre da Matriz de Nossa Senhora da Pompeia ficava o serviço de som das barraquinhas. Anos atrás, ele fora comandado por outros grupos religiosos da paróquia. Nos anos 1960, quem tomava conta da organização, seleção e exibição das músicas, era o pessoal da JUF. Eu, Zé Luiz, João, Vitório e Nem, o Wilson Adriano Faria, revezávamos na locução e na responsabilidade de colocar no ar todas as noites o serviço de som das barraquinhas da Pompeia. ( trecho Look for Star) “Senhores e senhoras, jovens, adultos e crianças, a partir desse momento e sob este prefixo, entra no ar o serviço de alto falantes das barraquinhas da Pompeia” O prefixo era a música Look for Star, de Billy Vaughn;

Às oito da noite em ponto, começavam os pedidos e oferecimentos de músicas para os assíduos frequentadores. Por uma pequena contribuição, as pessoas pediam ou ofereciam determinadas músicas aos seus entes queridos, pais, namorados ou aquelas e aqueles com os quais desejavam marcar encontros. “Esta música vai para Maristene e é oferecida por alguém que ela sabe muito bem”; “ Ari oferece esta música para Selma com sinal de muito amor”; “Vitório dedica esta música para sua mãe, como prova de muito amor e carinho”.

O serviço de alto falantes da Pompeia era muito bom. Duas enormes cornetas fixadas no alto da torre distribuíam som e vozes para a vizinhança. Os sinos badalavam e convocavam para as missas. ( Som de sinos) O bairro inteiro ouvia. Os alto falantes também serviam para recados e mensagens aos moradores em dias especiais. As músicas preferidas e mais tocadas nas barraquinhas eram de Roberto Carlos,, dos Beatles, Elvis Presley, a orquestra de boleros Românticos de Cuba, o cantor mexicano Bienvenido Granda, Nelson Gonçalves, Dalva de Oliveira e os sucessos internacionais de Ray Connif.

E naqueles anos de 1960, as barraquinhas da Pompeia já inovavam apresentando publicidades nos intervalos da programação de todas as noites, com propagandas de alguns bares do bairro e principalmente do Armazem Popular, o EPA, atual rede de supermercados, que inciou suas atividades na região, mais especificamente na rua Felipe Camarão, no bairro Esplanada e tinha uma loja na Pompeia, na Rua Iara.

Frios e alegres tempos do mês de maio que não voltam mais.

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