• Guilherme Cardoso

As chuvas e as tragédias de sempre


Começo de ano chegou, mês de janeiro, fevereiro e março, muito calor, chuvas fortes como sempre, outra vez a mesma calamidade. Alagamentos, deslizamentos, desabamentos e mortes. E os locais dessas tragédias são os mesmos, pouco mudam, são as vias expressas, encostas de morros, barrancos, beiradas de rios.


E o que sempre faz o governo? Nenhuma prevenção eficiente. Apenas o resgate das vítimas, o atendimento rápido, de emergência, ambulâncias e até aviões, tudo depois do fato consumado. Bem parecido com a polícia, que chega depois que o crime acontece, não é?


Não seria mais correta, eficiente e duradoura se a prevenção dessas tragédias anunciadas fosse a aplicação anual dessas verbas no sentido de se retirar essas famílias de risco dos lugares em que estão, ao invés de todos os anos os governos gastarem milhões para socorrer as vítimas que depois voltam para o mesmo lugar, esperando novas tempestades e novos socorros?


Se os governos quisessem, bastaria um planejamento para a cada ano se construir um determinado número de casas simples, ou conjuntos habitacionais em um lugar seguro e plano, como várias áreas públicas ao longo da BR 040 sentido Sete Lagoas, e ir transferindo progressivamente essas famílias. E no lugar de cada família que fosse retirada, imediatamente a Prefeitura isolaria a área, plantaria árvores e com a ajuda da Justiça, proibiria e impediria que as famílias e outros sem moradias viessem a ocupar novamente aquelas áreas de risco , sob pena de prisão.


É um processo demorado, sim, mas definitivo, mais justo e seguro socialmente para as pessoas e suas famílias, que todos os anos sofrem com as fortes chuvas que apesar de tudo, felizmente não deixam de vir.


Dá até para imaginar que há interesses políticos em que essas tragédias se repitam anualmente. Fica parecendo com a folclórica Indústria da Seca, que seguidamente, por quase um século, recebe verbas governamentais altíssimas todos os anos, os moradores da região nordeste continuam na mesma: na miséria, sem água e comida.

0 visualização