• Guilherme Cardoso

Brincadeiras dos anos 60


Você se lembra como eram as brincadeiras das crianças nas décadas de 50 e 60?

Claro que se você responder que se lembra, você é daquela época, da minha época. E não somos tão velhos assim, não, viu?

Mas não é só para aqueles da minha época que eu acredito que estou falando. Penso que este vídeo é visto por pessoas mais jovens, filhos e até netos dos meus contemporâneos.

E isso é verdade, não é só suposição, não. A netinha de 09 anos do meu velho amigo e companheiro da Pompeia e da juf, Ari Valter Boscatti comprova isso.

Sempre que conto casos e histórias da Pompeia, especialmente quando avô Ari ou a avó Selma são personagens, aí ela fica toda entusiasmada, quer ouvir e ver o vídeo e pede que eu conte outros casos engraçados daqueles tempos que ela sabe que existiu somente pelas histórias contadas.

Naqueles tempos, anos 50, 60 e até início dos anos 70, a vida era muito diferente aqui no Brasil, especialmente em bairros da periferia, como éramos considerados naquele tempo, a Poméia, o Vera Cruz, a Saudade, A Abadia, Esplanada, o bairro São Geraldo.

Hoje, a periferia ficou mais longe, a Pompeia e esse bairros que citeiestão quase no centro, meia hora, quarenta minutos de ônibus.

Naqueles anos, quando a gente era criança, e até mesmo adolescente, lá com os seus 15, 17 anos, o maior medo que se tinha era de assombrações. Ninguém tinha medo de ladrões, bandidos, crimisosos, estupradores. Isso era incomum.

Quando criança, a gente ia para a escola municipal pela manhã, tinha lanche no recreio, voltava às 11 horas, comia às pressas, mal engolia, e ia para a rua brincar com os colegas.

As brincadeiras eram as mais variadas possíveis. Era necessário ter muita imaginação, pois nauqueles temp9os não havia quase nada pronto, brinquedos eletrônicos eram raríssimos, a gente tinha que criar nossos próprios brinquedos.

As brincadeiras durante o dia, normalmente só de meninos, pois as meninas ficavam em casa, brincando de bonecas, de casinha, de fazer comidinhas, ajudar a mãe, aprender a costurar, fazer vestidinhos, crochês. Era o costume da época.

Os meninos, que ficavam mais livres, brincavam a tarde toda, às vezes até à noite, em peldas de rua, brincadeiras de Tarzan, subindo em árvores e descendo em cipós, pois havia muita mata nos lotes vagos.

Meninos brincavam muito, davam socos, chutes no traseiro do outro, atiravam mamonas com bodoque, e quebravam muitas janelas de vidro com boladas e pedradas das brigas.

A gente imitava muito os mocinhos dos filmes de faroeste, como O Zorro com Clayton Moore, o Tarzan com Jonny Wesmuller.

Os meninos brincavam de carrinhos de retróz de linha, construía carrinhos de rolimã, juntava dinheiro engraxando sapatos dos tios e vizinhos para comprar picolés e ir ao cinema do salão paroquyial da Matriz de N.S.do Rosário da Pompeia.

À noite, aí juntavam os meninos com as meninas no terreiro ou na porta de casa, e a gente brincava de pular corda, de passar anel, de amarelinha, de Chicotinho Queimado, de Pegador, e até nosso pais ou irmãos mais velhos participavam, tamanha era a animação.

Nos meses de maio a diversão maior eram as barraquinhas em frente a Igreja e os vários jogos que tinham. O Jogo dos Coelhinhos, o Jogo de Argolas, ao Bola na Lata, o Tiro ao Alvo, os bolinhos de feijão feitos em casa e vendidos nas barracas.

Quando chegava o mês de junho, eram as festas, as fogueiras de Santo Antonio, São João e São Pedro.. Quase todas as famílias faziam fogueiras enormes, muita brasa e fogo alto, se colocava dentro batata doce que depois de assadas eram distribuídas aos participantes.

Na casa da dona Maria Vergista, mãe do meu cunhado Miguel, da Tereza, do Tarcísio e outros filhos, e netos, alí na Rua Astolfo Dutra, divisa com o Vera Cruz, nos meses de junho tinha fogueira e , quentão e quadrilha toda a semana.

Foram tempos muito bons, alegres, inocentes e muito difíceis. São tempos que vivemos, estã na nossa memória. Tempos que não volta mais.

Muito obrigado e bom domingo.

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