• Guilherme Cardoso

Céu e o Inferno ditavam as normas


Até os anos 60, os padres capuchinhos mandavam e desmandavam no Bairro da Pompeia em Belo Horizonte.

Era assim em quase todos os bairros e cidades do nosso Brasil. A religião é quem ditava as regras e determinava a disciplina das pessoas.

A maioria era católica e todos respeitavam muito o padre, o vigário do bairro, e o que ele falava todos concordavam, e o medo maior naquele tempo era ser excomunhado e ser mandado para o inferno.

Céu e inferno eram algo que as pessoas acreditavam como sendo um lugar real, que a gente ia pra lá, viver eternamente junto de Deus nas delícias do Paraíso ou arder pra sempre junto ao Diabo nas chamas do inferno.

Essa crença e obediência é que fazia as pessoas escolherem entre serem boas, caridosas e solidárias, ou serem más, maldosas e pecadoras, só vivendo prejudicando o próximo, o seu amigo, o seu vizinho.

A Igreja tinha mais poder e respeito com os seus fiéis do que os moradores tinham com o Poder Público, com as leis e os políticos.

Na década de 60, em todo o mundo começavam diversas transformações, várias revoluções, especialmente de comportamentos.

Nessa época as mulheres pediram mais liberdade, jogaram os sutians fora, chegou a minissaia, aaconteceram os festivais de música na televisão, os protestos políticos, a chegada do rock e os cantores do Ie, Ie, Ie, comandados por Roberto Carlos e paralelamente o Movimento da Tropicália com Caetano Veloso, Gilberto Gil e Maria Betânia.

No seminário dos padres capuchinhos na Pompeia, também houve uma debandada de seminaristas, abandonando o convento, padres e vigários largando a batina e se casando, desejosos de conhecer o novo mundo que estava surgindo.

Nesta época, a Juventude Franciscana estava em plena atividade. Éramos um grupo de 150 jovens, entre moças e rapazes com mais de 15 anos de idade e que durante uns 8 anos seguidos movimentaram a comunidade do bairro Pompeia.

Eram peças de teatro toda a semana, barraquinhas o mês de maio inteiro, excurs~]oes a passeio e a jogos de futebol para diversas cidades mineiras e o funcionamento todas as noites e nos finais de semana do Clubinho de jogos no salão paroquial, que ficava deixo do altar da Matriz de N.S.do Rosário da Pompeia.

E foi por causa desse salão e do altar da Igreja que o frei Fidélis, então vigário, quase nos expulsou dos movimentos da paróquia, porque ele ficou sabendo que nós os jovens da JUF tínhamos um plano para derrubar as pilastras de dentro do salão paroquial para dar mais visibilidade comodidade ao público que frequentava nossas pelas teatrais, e isso iria derrubar o altar da Matriz.

A ideia de derrubar pilastras era verdadeira, mas não todas, as 6 eu aacho, mas apenas dua.

Por causa disso fomos chamados de comunista, isso era o palavrão da época, e me lembro bem, que muitas mulheres que eram Filhas de Maria e homens que eram Congregados Marianos, desviavam da gente no caminho, porque achavam que éramos comunistas, e comunistas comiam criancinhas literalmente, com garfo e faca, e que pretendíamos acabar com a religião, derrubando a Igreja.

Foram tempos bons, tempos inocentes, casos e histórias de Tempos que não voltam mais.

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