• Guilherme Cardoso

Casamento de pobre é que era bom


Antigamente, lá pelos anos 60, casamento de pobre tinha muita fartura., apesar é claro da falta de muita coisa, especialmente dinheiro.

Já o casamento de rico tinha pouca coisa, e tudo muito sofisticado. Era o que diziam na época os frequentadores de festas no bairro. Eu era garoto mas ia em muitas festas. E tinha um fundo de verdade em tudo isso.

Lá em casa mesmo, quando meus irmãos se casaram, mesmo com todas as dificuldades financeiras da família, era questão de honra convidar muita gente do bairro, toda a vizinhança, e oferecer comida e bebida a vontade pela noite adentro.

Era barril de chope com gelo em volta para esfriar, salgadinhos tipo sacanagem com vinagre e pimenta e bolinho de feijão.

Por falar em casamento, até fins da década de 1960, raramente havia celebrações religiosas durante a semana. Os casamentos eram realizados sempre aos sábados, e no período da tarde, nunca ultrapassando as 18 horas.

O mesmo acontecia com os cemitérios, que só faziam sepultamentos até às 18 horas. Ainda hoje cemitérios mantém essa norma, havendo enterros à noite somente em casos como o de agora, da pandemia.

Na Igreja da Pompeia os padres capuchinhos eram rigorosos com os horários. Noiva atrasou muito, passou da hora, não tinha cerimônia. Aos sábados, aconteciam não mais que três casamentos na igreja. Das quatro às cinco e trinta da tarde. E os noivos preferiam o mês de maio, mês de Maria para se casarem.

Hoje, casam-se de segunda a domingo, a qualquer hora, pela manhã, hora do almoço a tarde, até as 22 horas. Casamento virou espetáculo. As músicas de fundo deixaram de serem as clássicas, com violinos e coral de vozes. O que se ouvem hoje são músicas populares, rocks, baladas, samba, axé e funk.

Noivas já não casam só de branco, véu na cabeça. Hoje vestem-se de qualquer cor, até de vermelho, noivos já não vão de ternos de terno, sobem no altar até em mangas de camisa.

Padrinhos eram 12, simbolizando os apóstolos, agora são dezenas, cada um vestindo um tipo de roupas, mulheres de vestidos vermelhos, já ví padrinho em casamento de bermuda, camisete e chinelo havaiana.

São as mudanças de hábitos e comportamentos e o que sobra são os casos e causos de Tempos que não voltam mais.

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