• Guilherme Cardoso

Casos de assombrações - 1


Sábado e domingo são dias da gente contar alguns casos e causos daqueles tempos que não voltam mais.

Vamos falar de

Casos de assombrações.Parte 1

Quando éramos crianças, nós morríamos de medo de cemitério. Só entrávamos ali por necessidade, quando um parente ou amigo morria.

Evitávamos até passar na frente de cemitério. De noite, nem pensar. O da Saudade nos dava muito medo. Não sei se verdade, ou a nossa imaginação, mas algumas noites, a gente via fagulhas de fogo saindo de dentro de cemitério e os adultos completavam dizendo que eram os mortos brigando entre si.

Apesar do medo, as histórias e piadas envolvendo mortos e cemitérios eram as que mais gostávamos de ouvir.

Meu pai gostava de contar o caso dos amigos que voltavam tarde de uma festa e passavam ao lado do cemitério. Rua Padre Júlio Maria. Ao lado cemitério da Saudade.

Um deles carregava nas costas o irmão aleijado, de uma perna só. Vinham conversando divertidamente, quando ouviram uma voz pedindo ajuda do lado de dentro do muro. Olharam para o relógio e era meia-noite.

Apavorados, saíram em disparada, cada um para um lado e o que levava o aleijado, jogou-o no chão e tratou de se salvar. Quinze minutos depois, após correrem mais de dois quilômetros, pulando cercas e córregos que ainda existiam, chegaram em casa. Rua Furquim, na Pompeia.

Foi quando se lembraram que ninguém havia trazido o aleijado, e para espanto geral, o irmão de uma perna só já estava havia um bom tempo sentadinho na cozinha, tomando água para aliviar o cansaço. Só o medo pode explicar como ele chegou primeiro, e sem muletas.

Bom contador de casos era também o Miguel, meu cunhado. Protético de profissão, trabalhou e aposentou-se na Rede Ferroviária Federal. Enquanto solteiro, morava na rua Astolfo Dutra, caminho para o Convento das Irmãs, no Bairro Vera Cruz. Miguel, alto e magro, bigodinho à moda de Orlando Silva, cantor de sucesso da época. Tinha um jeito todo especial de falar e representar.

Dentre os muitos casos que ele contava, um dizia que: uma madrugada, vindo de um jogo de sinuca com os amigos, ao passar por um lote vago, cheio de mato, cruzou com uma freira. Até aí, nada de mais, pensou ele, pois próximo dali, no bairro Vera Cruz havia um colégio de freiras. No dia seguinte, ao contar o fato para seus pais, lembrou que o horário era meia-noite e descobriu que a tal freira havia morrido anos atrás. O que vira era uma alma perambulando.

Tempos de amarrar cachorro com linguiça, e que não voltam mais.

Este caso e muitos outros casos estão no livro No Temp do Capuchinhos, de minha autoria. E se você ainda não se inscreveu em meu canal, não se acanhe, é só clicar aqui embaixo e pronto.

Muito obrigado.

0 visualização