• Guilherme Cardoso

Casos de assombrações - 2


Sábados e domingos são dias de relaxar, de contar casos de Tempos que não voltam mais.

Hoje, ainda vamos falar de assombrações.-Parte 2

O meu cunhado Miguel era mestre em contar casos, especialmente quando o assunto era assombrações e cemitério.

Um caso que ele contava, lá no início dos anos 60, e que virou domínio público, mas com certeza a autoria era sua, e que foi sendo repetido ao longo dos anos, até virar uma esquete no programa Os Trapalhões, da Rede Globo.

Era assim: Um sujeito voltava da casa da namorada meio tarde, próximo da meia-noite, quando ao passar ao lado do muro do cemitério, da Saudade, em Belo Horizonte, ouviu uma voz dizendo: “Um pra mim, outro procê, um pra mim, outro procê”. Assustado, ele ficou ali, estático, uns cinco minutos, sem coragem de gritar ou correr, e aquela voz repetindo: “Um pra mim, outro procê, um pra mim, outro procê”.

Não podendo ficar ali parado, criou coragem e foi chamar um Guarda-Civil que estava na esquina e contou-lhe o fato. Ele e o Guarda ficaram encostados no muro e a voz continuava repetindo a mesma frase: “Um pra mim, outro procê, um pra mim, outro procê”. E os dois morrendo de medo, sem saber o que fazer.

De repente, uma das vozes deu sequência à frase repetida: “Um pra mim, outro procê, um pra mim, outro procê... E emendou: vamos pegar os dois que estão lá fora?” Não deu outra: “Os dois, o sujeito “corajoso” e o “valente” guarda civil, desceram às carreiras pela rua abaixo, tropeçando nos pés, boné voando pelos ares, sem olhar para trás. Moral da história: eram dois sujeitos dentro do cemitério, cada um com um saco, sentados no chão, dividindo um cacho de coquinhos, conhecidos como coco-catarro, que durante o dia eles haviam derrubado da árvore que ficava junto ao muro.

Muito engraçada também era a história do padeiro que entregava pães todas as manhãs de bicicleta. Ele colocava os pães numa cesta grande, amarrada no guidão da velha bicicleta e começava a vender seus pães bem cedo, quatro, cinco horas da manhã. Ainda meio cochilando, ele gritava anunciando os pães, procurando despertar os moradores. Era o despertador da comunidade. Padeiro!!! Padeiro!!!

Certo dia, melhor, certa madrugada, os coveiros do cemitério, foram convocados para abrir uma cova antes do expediente para enterrar um corpo no primeiro horário, já que tinha sido liberado do Instituto de Medicina Legal com atraso e passava do tempo para o sepultamento.

O sonolento padeiro descia uma rua de terra, toda esburacada, bicicleta segura no freio de mão, balaio preso no guidão, cheio de pães, quando gritou, como fazia sempre: “Padeiro, padeiro!!!” E uma mão, do coveiro se levanta de dentro da cova e devolve: “Ô padeiro, me dá um pão aí!!!” O que se viu a seguir foi o susto do padeiro, bicicleta despencando rua abaixo, pão rolando pra todo lado, roda de bicicleta na cerca do vizinho, o pobre do padeiro se esborrachando no chão. Tudo por causa de um simples pedido de pão.

E assim, de casos em casos, verdadeiros ou inventados, a gente, quando criança, passava as longas noites que não voltam mais, e que não tinham televisão, nem internet, nem celular, sentados em grupos nos meios-fios, ao redor dos poucos postes de iluminação, ou em volta das fogueiras para esquentar os frios momentos dos meses de maio e junho.

Tempos que não voltam mais.

Este caso e muitos outros casos estão no livro No Temp do Capuchinhos, de minha autoria. E se você ainda não se inscreveu em meu canal, não se acanhe, é só clicar aqui embaixo e pronto.

Muito obrigado.

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