• Guilherme Cardoso

Como era a JUF -Juventude Franciscana da Pompeia


A JUF-Juventude Franciscana da Pompéia, era um grupo de jovens, aproximadamente 150, moças e rapazes, de idades à partir de15 anos, que se reuniam em torno da figura de um padre capuchinho, que era o encarregado de dar continuidade aos ensinamentos da doutrina católica.


Havia um estatuto que regulava as condições de participação, os deveres e os direitos de cada um, as normas de convivência e uso das instalações do salão e dos jogos. O grupo se reunia oficialmente uma vez por mês, e as atividades eram variadas e distribuídas para todos.


Cada setor ou departamento tinha um responsável. O Futebol era comandado pelo João Alves Pereira Filho, o “João Gordo”, que tinha autonomia de escolher os atletas e providenciar os jogos. Os treinos eram no campinho do convento.


A parte do Clubinho, organizando os jogos, as disputas e os campeonatos de ping-pong e totó, eram de responsabilidade do Zé Luiz. O jornal e as montagens das peças teatrais eram de minha responsabilidade.


Já as horas-dançantes nas casas dos jovens nos fins de semana eram de responsabilidade da Hozana, Ieda e Ione, assim como o time feminino de voleibol. Voleibol e peteca, naquela época, anos 60, somente mulheres jogavam. Homens, jamais. Eram os preconceitos fortes e machistas que ainda prevaleciam.


Não se falava em homossexualismo. Era bicha, veado mesmo. Havia discriminação explícita contra quem procedesse desse jeito. Ninguém admitia. Se o sujeito tivesse desvio sexual, tinha que se esconder, praticar seus atos nas escuras.


Para a época, esse preconceito era até normal, aceitável, pois, afinal de contas, toda nossa educação vinha de exemplos machistas norte-americanos, com aqueles filmes de faroeste, onde os artistas eram durões, firmes de caráter, amavam a mocinha, não traiam, casavam, tinham filhos e viviam felizes para sempre. O fraco era o bandido, o vilão, quem sempre perdia. Não tinha como fugir da discriminação.


Padre bicha, então, era inaceitável. O padre era a figura masculina mais respeitada na comunidade. Era como o nosso pai. Admirado e respeitado. Lembro de uma manifestação em 1963, quando fizemos um grande protesto na praça da Igreja da Pompéia, debaixo das janelas do convento, exigindo a expulsão de um seminarista que descobrimos ser bicha, que andava dando cantadas nos meninos coroinhas. Apesar do autoritarismo dos capuchinhos, nosso pedido foi atendido e o seminarista expulso.


As atividades da JUF eram muitas. Durante o ano havia passeio e excursões de ônibus fretados para São Lourenço, Ouro Fino, Pimenta, Itaguara. Eram promovidos Jogos de futebol contra vários times da cidade de BH. Nossas peças teatrais eram exibidas durante meses no salão da Pompéia, no Convento das Irmãs no Vera Cruz, no Bairro Santa Tereza, na Igreja de São José. E nos dias em que não havia shows ou peças teatrais no salão, este era utilizado integralmente pelos jovens.


O lema da JUF era Paz e Bem, ou Pax et Bônus em latim, expressão que se encontra no cravada acima do altar da Matriz de N.S.do Rosário da Pompéia. Quem comandou a JUF primeiramente, foi Frei Tomaz de Alquino, depois Frei Benigno, que ficou mais tempo e mais tarde, Frei Venâncio em 1968, já na decadência do movimento.


O time de futebol da JUF tinha jogadores de extrema habilidade. Verdadeiros craques, que se fossem hoje, seriam titulares em quaisquer clubes profissionais. O Niltinho, meio campo, camisa 10, que fazia de tudo com a bola. Magrela, gostava de beber, morreu jovem, não tinha 30 anos. O Zica, um escurinho franzino, era também muito habilidoso com a bola. O Goiano era bom de bola, o Isaías, e o Wilsão, um veloz corredor na ponta direita. Este faleceu antes do tempo, com 50 anos, forte, sempre praticou esportes. Câncer na próstata..


Na defesa tínhamos uma boa dupla de beques, o Ari e o Sergismar e no meio campo, havia o Vitório Ângelo Baldi. O treinador João Alves, o “João Gordo”, foi outro que foi antes do combinado, como diz o Rolando Boldrin. Morreu em 1999, com 54 anos. Na cidade de Imperatriz, no Maranhão. Longe da família

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