• Guilherme Cardoso

O Brasil com empregos sobrando


Olha, a década de 70 no Brasil, foi um período de muita prosperidade, muito trabalho, muitos empregos disponíveis e muitas alegrias. Apesar que vivíamos no Regime Militar imposto em 1964.

O país crescia bastante, muitas obras governamentais estavam sendo realizadas,. Ponte Rio Niterói quase pronta, Transamazônia, Usina de Itaipú, Usinas Nucleares de Angra dos Reis, a instalação da Zona Franca de Manaus.

O Brasil se sagrava tricampeão de futebol no México, tudo era festa no país, o Governo adotava o lema Brasil- Ame-o ou deixe—o, uma resposta dura aos adversários do regime.

Embora existissem as insatisfações com o Regime Militar, as greves, as manifestações políticas, as prisões, as torturas, as mortes e os desaparecimentos de muitos opositores, a classe trabalhadora em geral viva bons momentos de emprego, inflação baixa e segurança pública.

A inflação que antes chegou a 95% virou 15% ao ano, o PIB disparou aos níveis chineses de hoje, o salário do trabalhador médio no Brasil chegou a ser 28% do salário do trabalhador americano. Atualmente, não chega a 10%.

Na década de 70 até início da década de 80, empregos sobravam no Brasil. Só ficava dewsempregado quem queria.

Lembro que entre 77 a 79, quando ainda trabalhava no Unibanco, agência av.João Pinheiro, o Banco, que já pagava um bom salário, perdia funcionários constantemente para empresas como a Construtora Mendes Jr, que tinha escritório em frente, na Av.João Pinheiro, 146.

Naquela época, Mendes Jr e outras construtoras de construção pesada, tinham grandes obras no Brasil e especialmente no exterior, como no Ir5aque e na Mauritânia. Todo tipo de funcionário era contratado aqui para ir trabalhar fora, recebendo altos salários e muitos fizeram seu pé de meia para toda a vida.

No Banco era normal a gente receber funcionários novos, muitos sem saber nada de operações bancárias, aprender o básico, e meses depois pedir demissão e se mandar para uma obra governamental na Transamazônica ou no Iraque. Não havia o temor do desemprego.

Eu mesmo, ao sair do Banco, pedir demissão depois de 17 anos, com 35 anos de idade, casado e dois filhos pequenos, não tive medo algum.

Mesmo sem diploma de curso superior, logo depois fui admitido como Chefe de Escritório, depois Gerente de Vendas numa construtora de apartamentos, quando se construíam e vendiam apartamentos populares como se vendem pães na padaria.

A crise política aumentava a tensão, o Regime Militar dava sinais de cansaço, surgiu a crise econômica em 1983, que atingiu especialmente o mercado imobiliário, e muita coisa começou a ruir.

Voltou a democracia e os direitos democráticos que por tantos anos causaram lutas e mortes, os civis tomaram o poder, prometeram mudanças profundas e benéficas para o povo, crises políticas e econômicas se repetiram, e lamentavelmente o país pouco se desenvolveu nesses anos, e hoje, com mais uma crise econômica causada pela pandemia, o mundo se encontra em situação desastrosa, e o Brasil mais ainda, cheio de incertezas e falta de planejamento para os próximos anos, que certamente serão muito mais difíceis.

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