• Guilherme Cardoso

O Grupo dos Cordígeros


Cordígeros era um grupo de garotos, com idades de 8 até 15 anos, ligados aos padres capuchinhos.

O grupo de cordígeros foi instituído pelo Papa Sixto V em 1585 na cidade de Assis na Itália e era uma confraria de adolescentes de 09 aos 14 anos, que eram devotos de São Francisco de Assis, usavam um cordão na cintura e tinham por lema e código a palavra Paz e Bem. Era como se fosse um grupo de escoteiros, só que ligados diretamente à Igreja Católica.

Ser Cordígeros era ser preparados para viver uma vida direcionada a religiosidade, aprender desde cedo a se comprometer com a obedecer os compromissos da fé cristã e seguir os mandamentos divinos, levando uma vida de fé, obediência e castidade.

No Brasil os critérios de admissão ao grupo de cordígeros eram diferentes, aceitavam-se somente garotos, as meninas participavam de outros grupos, e passaram a aceitar garotos a partir dos 8 anos de idade e até os 15 anos, quando então podiam fazer parte da JUF, onde se abrigavam moças e rapazes de 16 anos em diante.

Depois de passarem pela Primeira Comunhão, que naquele tempo acontecia aos 7 anos de idade, esses garotos eram encaminhados para serem cordígeros, recebiam aulas de catecismo, participavam de festas e disputas esportivas.

As pessoas que dirigiam algumas atividades do grupo eram as catequistas, senhoras que faziam parte do grupo das Filhas de Maria.

Na Pompeia, todos os anos os padres selecionavam entre os cordígeros, garotos de famílias carentes financeiramente, que demonstravam interesse em estudar em regime de internato no seminário dos padres. Era preciso dizer que queria ser padre.

Os irmãos Herchil e Wilson Brumer, sobrinhos do meu cunhado Miguel e eu, fomos convidados a estuda que eram no interior de Minas. Eu e o Herchil não topamos.

O Wilson Brummer aceitou ir para o seminário dos capuchinhos estudar e ser padre depois. Ele foi, estudou alguns anos, se formou, não quis ser padre, voltou para BH, continuou os estudos e se transformou em uma das figuras mais respeitáveis no meio empresarial, chegando a ser presidente da Vale e secretário de Estado em Minas Gerais.

O grupo de Cordígeros era muito animado, tinha cerca de uns 50 meninos naa faixa de 8 aos 15 anos, que participavam de apresentações teatrais, shows no salão paroquiail no Dia das Mães, Dias dos Pais, Natal.

E tinha também um time de futebol, que em 1960, jogou uma partida no seminário no bairro Coração Eucarístico, onde hoje é a Puc e perdeu de 7 a 0 dos estudantes seminaristas.

Desse time dos cordígeros faziam parte garotos como o Sergismar, o Ari Bosccatti, o Isaías Câmapara, o Taquinho, o Vitório Ângelo Baldi, o Décio, Niltinho, Arlindo e o Tim, sob o comando do frei Benigno.

Dessa turma, que depois migrou para a JUF, alguns já se foram, e muitos não sabemos por onde andam.

Era um tempo de muita inocência, quase nenhuma tecnologia e muita fé religiosa. Era um tempo em que a Igreja Católica tomava conta e conduzia a vida das pessoas da comunidade do bairro Pompeia.

Eu vivi esse tempo, eu participei de quase tudo.

Tempos bons, tempos antigos, tempos que não voltam mais.

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