• Guilherme Cardoso

Os piqueniques de ontem


De onde eu moro hoje, desde 1973, eu olho pela minha janela à esquerda e vejo a construção do novo estádio do Galo, a Arena MRV.

O estádio deve ficar pronto no final de 2022, e eu como atleticano da Velha Guarda, pretendo estar presente.

Voltando os olhos para dentro, dentro de mim, eu volto na lembrança para 1958/1961 e vejo o Pico das Antenas de Televisão, lá no alto das montanhas que circundam Belo Horizonte e recordo de felizes momentos da minha infância e adolescência.

Em 1955 a antiga TV Itacolomy foi a primeira emissora de televisão a instalar sua antena no Pico das Torres, parte da Serra do Curral, tendo aos seus pés o Parque das Mangabeiras e às suas costas a cidade de Nova Lima, com seus condomínios e prédios residenciais.

Mesmo após a instalação da primeira antena, era comum os jovens daquela época fazerem piqueniques lá no topo, só pelo prazer de ver a cidade de BH cá embaixo.

Eu morava no Bairro da Pompeia.

Geralmente nos domingos, a gente formava um grupo de uns 10 jovens, a maioria com idade entre 15 e 17 anos, moças e rapazes, preparávamos um molho de tomate em casa e colocávamos salsicha no pão, acompanhados de Kisuco sabor de morango.

Não se conheciam drogas, e os maiores venenos da época para os jovens era o cigarro e a bebida, cerveja e a marvada pinga.

Os jovens, moças e rapazes, embora de famílias diferentes, se respeitavam, eram considerados como irmãos. Ninguém passava dos limites.

Raramente a gente tirava fotos desses passeios, já que ter uma máquina fotográfica na época era para poucos, e para revelar os filmes depois se gastava um bom dinheiro que a maioria não tinha.

Garotos que éramos, muitos levavam bodoques, estilingues, e outros até espingardas de chumbinho para atirar e matar passarinhos. As rolinhas era as preferidas e lá mesmo, no alto do morro a gente depenava a rolinha e assava no fogo com gravetos.E todos comiam sem nojo e remorso.

Naquela época era normal e não era crime matar passarinhos. O que não se permite de jeito nenhum nos dias atuais.

Outro passeio que algumas vezes a gente fazia era na Mata da Baleia, lá onde tem o Hospital, e que já existia na década de 60.

Era proibido entrar na mata, havia vigia armado rondando o local, mas a curiosidade e espírito de aventura dos garotos fazia com que a gente entrasse de qualquer jeito na mata, simplesmente para pegar mangas, muitas até verdes.E vez ou outra se pegava um filhote de macaco dos muitos que habitavam a região.

Tiros dos vigias nós tomamos várias vezes, mas felizmente ninguém foi ferido.

Hoje, quem chega lá no alto, bairro Vila da Serra, e viveu aqueles tempos passados, não consegue ver quase nada do que havia antes.

São casas, prédios altíssimos,, condomínios pra todo lado, a velha cidade de Nova Lima quase ligada a Belo Horizonte, e só fica mesmo a saudade e as lembranças de tempos bons, tempos inocentes tempos que não voltam mais.


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