• Guilherme Cardoso

Outro dia o mundo era tão pequeno


Há uns 30, 40 anos atrás, pelo menos daqui do Brasil o mundo parecia enorme, tudo muito distante. Quando olhávamos o Mapa Mundi, lembra dele?, ainda não existia a internet, a gente via os Estados Unidos tão longe, o Canadá também, e a China então, nem se fala, estava lá do outro lado do planeta.

As comunicações entre as pessoas, normalmente eram por cartas, já que as ligações telefônicas eram muito caras e demoradas. Conforme o lugar ou o país, você pedia uma ligação pela manhã e só à noite ou no dia seguinte conseguia falar. As ligações nacionais e para o exterior passavam pela Embratel, que intermediava as ligações.

Nos anos 90 houve a revolução nas tecnologias das comunicações, depois chegou a internet, os celulares, as Redes Sociais, a comunicação instantânea, seja para onde for, e o mundo se apequenou. Tudo ficou mais perto, logo alí. China, Índia, Japão, Canadá, passaram a ser nossos vizinhos. Os Estados Unidos se transformaram em nosso local de férias e de compras. Miami viroua nossa rua 25 de março sofisticada.

Chegou 2020, muitos planos de crescimento pessoal e profissional, viagens planejadas e até pagas para a praia e para o exterior, este ano prometia ser o momento da economia brasileira deslanchar. Aí, aconteceu a tragédia que ninguém esperava. Apareceu o Novo Coronavírus e com ele uma pandemia que atingiu os quatros cantos do mundo. Uma tragédia diferente dos terremotos, dos ciclones, dos tornados e dos tsunamis que geralmente atingem países e áreas distintas, causando algumas centenas de mortes e destruição.

A pandemia de agora é uma tragédia mundial, afeta milhões, mata milhares em todos os lugares, sejam países pobres, miseráveis ou ricos. Ninguém escapa. O coronavírus virou o mundo de cabeça pra baixo. Até agora ninguém se entende, é só incertezas, não se sabe como voltar à normalidade, ou a nova normalidade.

E com esta pandemia, inesperada, paradoxalmente o mundo se desglobalizou de uma hora pra outra. Aquele mundo que tudo estava perto, se queria passear ou comprar ou estar junto de alguém, era só ir alí, pegar um avião e pronto, agora, fisicamente voltamos a ficar distantes uns dos outros, o mundo voltou a ser enorme, como há 40 anos.

Os aeroportos e as fronteiras estão fechados, os Estados Unidos e Miami não estão mais alí como antes, nem o Canadá, Portugal, o Reino Unido. O Japão e a China então, nem pensar, ficaram longe demais de nós Brasil, agora isolados cá embaixo de tudo e de todos.

Só nos resta ver com o mundo à distância, falar e interagir com as coisas e com as pessoas pela internet, pelo celular, pelas Redes Sociais.

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