• Guilherme Cardoso

Pato com arroz na Pompeia


O ano era 1966, quanto tempo, o dia 31 de dezembro, final de ano. Como em todo réveillon, dona Ziza me convidava para virar o ano na sua casa, junto com o marido senhor João Alves Pereira, os filhos João Alves, Dinha, Suely e Maurício.

Naquele ano, o cardápio foi pato ensopado com arroz. Nunca tinha comido algo assim tão saboroso. Comi feito um padre, e era um adolescente. Imagine a quantidade que eu comi. Nem consegui abotoar a calça.

Depois disso, nunca mais comi pato com arroz outra vez. Não é uma comida popular entre nós.

Dona Ziza era uma especialista na cozinha. Não somente no Natal ou Ano Novo ela mostrava seus dotes culinários.

Muitos domingos eu era convidado a filar a boia na casa dela. Em troca, eu ficava horas contando casos e causos engraçados, e fazia todos rirem à vontade.

Passava o almoço, ali pelas 3 horas da tarde, a gente ligava a radiola e colocava a seleção de bons discos de vinil e long-plays que o amigo João Alves tinha.

E ali, ficávamos a tarde toda ouvindo Românticos de Cuba, Nat King Cole, Billy Vaughan, Ray Conniff ,Trini Lopez e os Beatles, início da carreira.

E jogando Buraco, cujas partidas se prolongavam até tarde da noite, sempre acompanhados de uma boa cerveja gelada. A Antártica Pilsen Extra é quem dominava o mercado.

As diversões naquele tempo eram reduzidas e restritas. Jovens como nós, tínhamos apenas as peladas da JUF, o clubinho que funcionava de terça à sexta à noite e nos sábados e domingos durante o dia e após as missas das 10 horas, os espetáculos de circos, os Parques de Diversões na Rua Fluorina, e os filmes já no novo Cine Pompeia, ao lado da Matriz de N.S.do Rosário da Pompeia.

Os anos se passaram, os colegas se afastaram, alguns amigos permaneceram, outros se foram antes da hora, como diz Rolando Boldrin no seu programa Sr.Brasil, como o João Alves o João Gordo, sua irmã Francisca a Dinha, o Geraldo Prado, o Niltinho,, o Vitório Angelo Baldi,a Ione Câmpara, a Lúcia Pinho, o Zé Luiz Ribeiro de Souza entre outros.

Daqueles almoços de Pato com Arroz aos domingos na década de 60, na casa da dona Ziza, Suely, seu irmão Maurício e eu vamos resistindo ao tempo.

Tudo isso são fatos, acontecimentos, bons momentos vividos que permanecem em nossa mente e que devem ser contados para as novas gerações que não conheceram aqueles tempos românticos, tempos dourados, tempos de sonhos, tempos que não voltam mais

0 visualização