• Guilherme Cardoso

Quando não existiam celulares


Com tanta tecnologia nos dias atuais, que a gente até esquece que há bem pouco tempo atrás,25 anos no máximo, tudo ainda era muito antigo, muito artesanal.

Pouca gente se lembra, só os de mais idade mesmo, que até 1996, ainda não tínhamos celulares, nem notbooks, muito menos internet rápida. O que estava chegando era a internet discada, com pouca qualidade, e com os sinais só aparecendo à noite, depois das 22 horas.

No ano de 1996, por exemplo, ainda existia a Telemig aqui em BH, e quando se precisava de uma ligação interurbana, mesmo você tendo telefone fixo em casa, era necessário ir ao posto central da Telemig na R.dos Tamóios, esquina com Rio de Janeiro, pedir a ligação para a telefonista e ficar esperando sentado algumas horas para fazer a ligação.

Naquele tempo, a linha telefônica do aparelho fixo chegou a valer1.500 dólares, o que hoje seria mais de 7 mil reais. Telefone era um bem valioso, um patrimônio, como uma casa, um carro que se colocava na Declaração de Imposto de Renda.

E quem não podia ter um telefone seu, o jeito era alugar nas diversas empresas que faziam esse tipo de negócio. E não era barato não. E era um bom investimento para alguns proprietários que tinham várias linhas residenciais e comerciais para alugar.

O Governo, através da Telebrás, tinha o monopólio das telecomunicações naquela época. Só o governo podia investir nesta área, e de tempos em tempos havia o lançamento de um Plano de Expansão onde as operadoras de cada estado lançavam à venda milhares de linhas telefônicas parceladas em até 36 meses.

E havia longas filas para comprar uma linha residencial ou comercial, que normalmente demoravam anos para serem entregues aos compradores.

Nesse período, aparelhos de tecnologia avançadas como o Fax começaram a chegar ao Brasil, embora comprados no exterior, já que aqui as importações estavam restritas. Aí começaram a surgir também os primeiros telefones celulares, chamados PT 550, que eram umas verdadeiras caixas pesadas, com grandes baterias e que era carregado pelas pessoas amarrado na cintura. E eram caros, por gente tinha.

Com a abertura das telecomunicações em 1998, o setor rapidamente foi se modernizando com a oferta de muitas linhas de telefone fixos e a consequente modernização dos celulares que aos poucos foram diminuindo de tamanho e de preço e ficando mais acessíveis.

A internet que estava engatinhando foi melhorando, os computadores também diminuindo de tamanho, aparecendo os notebooks e os tablets.

A TV por Assinatura, a TV a cabo já existia desde 1989, mas ainda no ano 2.000pouca gente tinha acesso aos poucos canais existentes. Demorou um pouco para que a TV a cabo como conhecemos hoje se instalasse de verdade no Brasil. Hoje, ela domina e está presente em quase todos os lares.

O desenvolvimento e crescimento da internet no Brasil fez com que muitas profissões e atividades acabassem ou se modificado bastante. O próprio mercado de compra, venda e aluguel de linhas telefônicas acabou de vez no ano de 1996. Muitos investidores que não acreditaram nos investimentos privados em telecomunicações perderam muito dinheiro com seus telefones.

Empresas jornalísticas tiveram transformações enormes em suas atividades com a chegada do fax, do cs computadores e da internet banda larga.

Profissoes como linotipista, que fabricavam letras e números em chumbo nas gráficas e nos jornais foram extintas rapidamente. O teletipo, um telex, uma enorme máquina de escrever eletromecânica que digitava e recebia mensagens codificadas em bobinas de papel desapareceu com o Fax, que transmitia não só mensagens como imagens de documentos e fotos instantaneamente.

Na década de 90 uma redação de jornal chegava a ter 100 profissionais atuando dia e noite e hoje, com a tecnologia não se tem mais de 10 profissionais. Muitas das atividades presenciais naquela época, hoje são feitas à distância, por um único profissional.

Para quem viveu 3 , 4 décadas passadas e ainda encontra-se entre nós, teve o privilégio de ver enormes transformações no nosso modo de viver, trabalhar, estudar e curtir a vida.

E quando contamos aos nosso filhos e netos que há pouco tempo atrás, pouco mais de 20 anos quase nada do que existe hoje em temros de tecnologia e internet havia, eles nos olham com desconfiança, pensando que estamos brincando ou contando casos inventados, como nosso pais e vós contavam sobre mulas sem cabeça e assombrações.

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