• Guilherme Cardoso

Serenatas ao Luar


Até o início dos anos 60, era comum a realização de serenatas. Não algumas serestas de hoje, com shows, espetáculos reunindo vários cantores, em forma de coral, para cantar músicas do passado.


As serenatas daquela época eram manifestações de um grupo de rapazes, três ou quatro no máximo, para cantar músicas de amor para a amada do momento.

Violão, cavaquinho, um pandeiro e necessariamente um violino, para que as notas musicais entrassem doendo no fundo da alma, eram os instrumentos que compunham o grupo que desejava fazer uma seresta. Era importante agradar a amada e não irritar os ouvidos do pai da moça. O cantor não precisava ser dos melhores, bastava escolher bem o que iria cantar.

As canções eram românticas, tinham histórias, começo, meio e fim.


As letras falavam de amor, de dor, perdas, idas e voltas e os versos eram rimados. Coração com violão, saudade com felicidade, dor com amor. As canções faziam bem aos ouvidos, agradavam a alma.

Letras reverenciavam a lua cheia, prateada, no céu azul. Ao som dolente de um violão e nos acordes do violino, o cantor exaltava a beleza da amada, os seus lindos olhos, e seus cabelos tão sedosos. O resultado da empreitada musical costumava vir logo em seguida.

Depois de três ou quatro melodias, havendo agrado nas canções e o interesse da donzela, a cortina do quarto se abria e um olhar de aprovação da moça chegava até ao grupo.

Quando gostava das músicas e havia pelo menos um pequeno interesse ao jovem seresteiro, a amada sempre chegava à janela, abanava a mão e abria um sorriso. A gente ganhava a noite.


Quando não havia receptividade amorosa, canção alguma, por mais bonita que fosse, abria o coração da moça, e quem normalmente chegava à janela muito bravo, era o pai, que na madrugada gelada, despejava baldes de água fria nas cabeças dos jovens seresteiros. Que desesperados, saíam correndo, com cachorros vira-latas latindo atrás, mordendo os calcanhares

1 visualização