• Guilherme Cardoso

Uber do Transporte Coletivo


O Uber no transporte coletivo

Que o transporte coletivo é péssimo, todos nós sabemos. Diariamente, quem é obrigado a utilizar os ônibus, metrôs e trens nas principais cidades do país, passa por todo tipo de humilhação, desrespeito e assédio sexual, no caso das mulheres.

O transporte coletivo de nossas cidades leva e traz as pessoas como se elas fossem gado indo para o matadouro. Esperam horas nas filas de embarque e depois vão amontoadas, espremidas como se fossem animais.

Todos reclamam, os usuários às vezes protestam, a imprensa divulga e cobra das autoridades, mas o discurso é sempre o mesmo, de que vão colocar mais ônibus, vão por mais vagões nos trens e metrôs, e tudo continua do mesmo jeito há anos.

Eu pergunto uma coisa: por que não acabar com o monopólio das empresas de transporte coletivo no país, especialmente das empresas de ônibus, o transporte rodoviário?

Se o Uber derrubou a máfia que existia até outro dia dos motoristas de táxis, que se achavam os donos do pedaço, fazendo o que queriam com os usuários, desrespeitando, recusando corridas e até cobrando preços abusivos, por que não fazer isso agora também com o transporte coletivo?

Mas há a Justiça, as leis que protegem o Transporte Coletivo. Sim. Mas há também os usuários que não estão satisfeitos com o serviço oferecido e a lei também lhes dá o direito de exigir um transporte de melhor qualidade.

Se o Uber quiser, e hoje ele é poderoso em todo o mundo, bastaria iniciar o negócio colocando em cada bairro das grandes cidades alguns micro-ônibus com 22 lugares, ar-condicionado, toalete e tv a bordo e vender os lugares, unicamente sentados através de aplicativo, como se faz atualmente com os carros.

A passagem que hoje nos ônibus é em média 4,50, poderia ser de 10,00, 15,00 e os usuários comprariam as passagens com antecedência, escolhendo o dia e horário de ida e volta dos micro-ônibus. No trajeto de ida e volta, os micro-ônibus só iriam parar nos locais onde houvesse um passageiro agendado por aplicativo para aquele ônibus, dia e horário, não podendo pegar outros passageiros pelo caminho.

Para o motorista proprietário do micro-ônibus o lucro e a segurança estão garantidos. Não há cobrador, não há passagens com dinheiro, e acabam os assaltos dentro dos ônibus. Sua despesa diária é a comissão de 25% do Aplicativo, e alguns litros de diesel.

E você, aceitaria pagar esse preço diferenciado para trocar o ônibus atual do seu bairro, para um micro-ônibus com ar-condicionado, poltronas com almofadas, saindo na hora agendada por você e sem apanhar passageiros pelo caminho?

As viagens seriam confortáveis, todos assentados, hora marcada e agenda previamente, sem riscos de assaltos, pois não aceitaria passageiros não identificados e cadastrados.

Ao adquirir sua passagem antecipada, o usuário informaria ao aplicativo o micro-ônibus que iria pegar, o horário deste ônibus e o lugar que embarcaria e desceria, tanto na ida como na volta.

Como no serviço de transporte por aplicativos de carros de passeio hoje nas principais cidades brasileiras, o transporte coletivo popular, com preços mais baixos continuaria a funcionar do mesmo jeito, como acontece com os taxistas.

Ficaria a cargo do passageiro utilizar um ou o outro meio de transporte.

As empresas que hoje atuam no transporte por aplicativos, como o Uber, a 99 e a Cabify abririam vagas para motoristas pessoas físicas se candidatarem a adquirir um micro-ônibus novo, financiado em muitas prestações pelas fábricas nacionais, como a Volks, a Mercedes,a Marcopolo, exigindo desses o cumprimento de regras e normas rigorosas de direção e atendimento aos passageiros. Quem desrespeitasse seria advertido, multado e depois excluído.

Ah, mas isso é impossível de acontecer, isso é sonho, os donos do transporte coletivo são poderosos, tem costas largas, ninguém mexe com eles.

É verdade, mas assim também era com a Rede Hoteleira que agora compete com o Booking e com a Airbn que também alugam quartos e casas sem ter nenhum imóvel.

Assim foi com o Muro de Berlim que ninguém imaginava o seu fim e de repente foi derrubado da noite para o dia e a União Soviética toda poderosa, que faliu e dela surgiu a atual Rússia.

É bom lembrar também, que há poucos anos atrás telefone valia ouro, era vendido a preço de dólar, pouca gente tinha um, e num piscar de olhos veio a transformação, chegou a internet e hoje quase todos têm um celular.

Se a Uber, ou algum grande grupo da área automobilística, como a Localiza por exemplo, quiser entrar nesse mercado de transporte de passageiros, o caminho está aberto, está escancarado, pois a insatisfação popular com os serviços oferecidos é muito grande, e já está comprovado que as empresas não tem interesse em modernizar suas frotas e nem o governo e as prefeituras tem dinheiro e condições de provocar grandes mudanças.

Fica aí a minha sugestão, que vejo como única forma de melhorar a qualidade e a eficiência do transporte coletivo nas grandes cidades brasileiras.

Esta é a minha opinião. Você tem a sua.

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