• Guilherme Cardoso

Você já teve um BIP?


Eu não cheguei a ter um, mas conheci muita gente que tinha um. Era muito caro e basicamente voltado para alguns profissionais como os médicos e advogados.

O BiP ou Pager, era um aparelho pequeno, pouco maior do que uma caixa de fósforos, que recebia sinais de uma central telefônica e repassava para os usuários.

Era necessário ligar para uma central de atendimento, informar o número do BIP e ditar a mensagem para um atendente, que redigia o conteúdo e o encaminhava para o dispositivo da pessoa em questão.

Este aparelho foi o antecessor do celular e fez muito sucesso na década de 90. O aparelho ficava amarrado por uma cinta de elástico na cintura e quando havia uma chamada emitia um sinal, o recebedor olhava a mensagem ou o número de um telefone que ele deveria ligar.

Quando o assunto era importante, de urgência, o médico ou advogado saia de onde estivesse, procurava o telefone público, o Orelhão mais próximo e fazia a ligação.

Médicos eram os que mais se utilizavam do aparelho, especialmente os ginecologistas. Às vezes estavam em um teatro, um cinema e o BIP tocava, ele via a mensagem, pedia para sair do local, telefonava, e às vezes era uma mulher pronta para dar a luz e precisava do médico naquela hora.

Esse aparelhinho mágico e avançado para a época durou poucos anos, pois logo começaram a surgir os celulares e a comunicação foi ficando mais fácil e rápida.

Mas não eram os celulares que nós conhecemos e temos hoje. Pequenos, cabem no bolso da camisa, tiram fotos, gravam tudo, mandam mensagens.

Nada disso. Os primeiros celulares eram enormes, tamanho de um tijolo, pesado, cerca de meio quilo, e não cabiam nem no bolso fundo da calça. Eram também amarrados na cintura. Eram chamados PT 550 e eram da Motorola os primeiros que chegaram aqui em Belo Horizonte.

Nesse tempo, eu comprava, vendia e alugava linhas telefônicas e tive o primeiro celular tijolão. Era um luxo, uma importância total você ter e mostrar para todo mundo aquela peça rara e cara. E sem o perigo de ser roubado na rua, pois até aquela época, início dos anos 90, a violência e a bandidagem ainda eram pequenas na cidade.

E dos celulares grandes, a tecnologia foi avançando e trazendo outros aparelhos cada dia mais pequenos e com novas funções.

Telefones fixos já não são necessários, poucas residências ainda têm um, o iphone e o smartphone substituirem todos.

Assim como um fogão, uma geladeira, uma televisão, um celular quase todo mundo tem, seja rico, pobre, moradores em condomínios de luxo ou favelas ao redor das grandes cidades.

Os celulares hoje fazem parte da nossa vida. Como se fosse um filho, um aninal de estimação. Sem os celulares nos sentimos perdidos, totalmente abandonas, sem saber o rumo a seguir.

Quase tudo que temos e que fazemos está dentro do celular. Nele colocamos nossa conta bancária, nossas dividas a pagar, nossos contatos de amigos e colegas, nossas mensagens diárias, amigáveis e profissionais, nossas fotos de ontem e de hoje.

Com o celular conhecemos o caminho para onde ir, pedimos o sanduiche da noite, compramos os eletrodoméstico desejados, reservamos as passagens e os hotéis onde sonhamos descansar.

Perder um celular é um desespero pra muitas pessoas, uma tragédia das grandes, como se perder um ente querido. Ficamos órfãos de pai e mãe quando perdemos um celular, quando cai a internet ou quando o nosso computador pessoal ou de trabalho estraga, entra um vírus.

Estamos sim reféns da tecnologia, dos celulares, da internet, dos computadores, da TV a cabo, da Netflix, mas, mesmo assim, é bem melhor do que 20, 30 anos atrás, quando nada disso existia, quase tudo era manual, movido a lenha e carvão.


Isto são histórias verdadeiras, são fatos, casos e causos de tempos passados, tempos que não voltam mais..



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