• Guilherme Cardoso

Você também é corrupto!


Você também é corrupto!


Eu? Que é isso? Você vai dizer. Corruptos são os políticos, aqueles que roubam milhões!


É o que todos nós pensamos. Está no nosso imaginário. Corrupto e ladrão é somente quem rouba ou desvia muito. Quem rouba pouco, um chocolate no supermercado, ou uma galinha do vizinho deve ser perdoado e nem ir pra cadeia!

Errado! Não podemos pensar assim!

Quem rouba qualquer coisa, por menor que seja, é considerado pelas leis, corrupto, ladrão!


Por isso eu disse no início da conversa, que você também é corrupto!

Ou melhor: todos nós somos corruptos. Em menor ou maior grau.


Então, há ladrão e corrupto de maior ou menor grau? Quem rouba ou desvia recursos, seja que valor for não é ladrão e corrupto do mesmo jeito?


Nós brasileiros, temos a mania de achar que quem rouba ou desvia uma pequena importância é um corrupto menor, um ladrão pequeno, e quem rouba e desvia milhões é que é um grande corrupto, um ladrão de marca maior, e este sim, merece ir pra cadeia, ficar mofando lá dentro por anos.


Na verdade, quem rouba, furta ou desvia qualquer coisa ou valor é ladrão, é corrupto do mesmo jeito, na mesma grandeza. Quem rouba uma galinha, um chocolate no supermercado, ou rouba milhões da Petrobras, é ladrão do mesmo modo.


Quando digo que você, eu e todos nós somos corruptos, não estou acusando, nem denegrindo a honra de ninguém, estou apenas constatando um costume, uma realidade do que acontece diariamente em nossas vidas. E que é uma rotina, e lamentavelmente faz parte da nossa cultura.


Somos ou não somos corruptos quando compramos uma mercadoria sem nota fiscal, hein?

E quando a gente oferece uma gorjeta ao Guarda de Trânsito para não nos multar quando dirigimos depois de beber uns chopes, quando estamos em fila dupla na porta do colégio, ou quando estacionamos em lugar proibido?

Deixamos de ser corruptos, ou um ladrão menor, quando adquirimos na Praça Sete ou em shoppings populares um celular que sabemos foi roubado, quando damos uma de esperto e furamos uma fila de Banco ou quando baixamos ilegalmente uma música, um vídeo ou um filme na internet?


Se pensarmos bem, somos corruptos sempre, especialmente quando queremos levar vantagem indevida nos negócios, passar alguém para trás. Infelizmente, é uma cultura nossa, enraizada em nossos hábitos, que passa de pai para filho, e que tem muito a ver com o comportamento dos nossos políticos.


Claro que culpar os políticos pelos nossos atos delituosos, inconfessáveis, não é uma atitude correta. Afinal, temos que ser responsáveis pelo que pensamos e fazemos. Mas, uma coisa tem muito peso nesse modo de agir da maioria dos brasileiros, que é a impunidade que reina no país.


Enquanto os políticos corruptos, que são muitos, que descaradamente roubam e desviam milhões de reais dos cofres públicos não forem exemplarmente punidos, este sentimento de que quem rouba muito, é ladrão grande e poderoso e que não fica preso, vai continuar na mente do povo.


Não adianta as polícias, o Ministério Público, a Lava-Jato, investigar, condenar e prender, e os nossos juízes da Alta Corte soltarem os condenados. Isto deixa a população desiludida e descrente na Justiça e em nosso regime democrático, que diz que todos são iguais perante a lei. O que na prática não é!


Posso dar um conselho nesta história?


Se quisermos melhorar esse país, acabar com esse conceito de que só os outros são ladrões e corruptos, precisamos educar melhor nossas crianças e jovens, repetir sempre pra eles as lições de bons costumes, boa ética e respeito aos direitos e às diferenças, e dar os nossos próprios exemplos. Só assim seremos país de Primeiro Mundo.


Precisamos acabar com esse costume ruim, pensar que roubos pequenos não são crimes, são todos maléficos, fazem mal às nossas crianças, aos nossos filhos, que ficam na dúvida entre o certo e o errado, dificultando seu crescimento pessoal e profissional.


Lá fora, no exterior, nos países mais desenvolvidos, a cultura do certo e do errado é muito clara. Quem anda fora da linha, comete desvios de conduta, pequenos ou grandes delitos é punido imediatamente e com os rigores da lei.


E o caminho do progresso e do desenvolvimento das nossas próximas gerações de formandos é o trabalho e a vivência em países do Primeiro Mundo, e para que eles se deem bem no trabalho e nas comunidades em que vão viver, é necessário que desde já recebam orientações e ensinamentos diferentes do que a nossa cultura e as nossas crenças tem passado.


Mostrar e deixar bem claro para aqueles que estão chegando agora, que Comprometimento e Honradez são atributos essenciais para ser bem-sucedidos na vida. Aqui e lá fora.

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